Gêneros e subgêneros brasileiros
A música brasileira não é um gênero: são mais de vinte famílias que se cruzam há séculos. Cada ficha abaixo diz onde e quando o som nasceu, quem o define e por onde começar a ouvir.
Samba
Rio de Janeiro
Herdeiro do samba de roda do Recôncavo Baiano, levado às casas das 'tias baianas' do Rio no início do século XX, o samba é o ritmo que o mundo associa ao Brasil. 'Pelo Telefone' (1917) é o primeiro samba registrado; dali saíram as escolas de samba, o samba-canção, o partido-alto e, nos anos 1980, o pagode.
13 subgêneros: Samba de roda, Samba de raiz, Samba-canção, Samba de breque, Samba-exaltação, Samba-enredo…
109 artistasChoro
Rio de Janeiro
O primeiro gênero instrumental urbano do Brasil: polcas e valsas europeias tocadas com a síncope africana por flauta, cavaquinho e violões. Pixinguinha é o nome central; 'Carinhoso' e 'Brasileirinho' são conhecidos no mundo todo.
3 subgêneros: Modinha e lundu, Maxixe, Choro
16 artistasBossa Nova
Rio de Janeiro
Samba desacelerado, harmonia de jazz e voz quase sussurrada: a bossa nova nasceu em apartamentos da Zona Sul do Rio com João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes e, em 1964, 'Garota de Ipanema' a tornou a música brasileira mais ouvida do planeta.
1 subgêneros: Bossa nova
16 artistasMPB
Festivais da TV, Rio e São Paulo
'Música Popular Brasileira' é o nome que o país deu, a partir dos festivais da TV dos anos 1960, à canção autoral sofisticada de Chico Buarque, Elis Regina, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Djavan. Não é um ritmo: é uma tradição de canção que absorve samba, bossa, baião, rock e jazz.
7 subgêneros: MPB dos festivais, Tropicália, Clube da Esquina, Pessoal do Ceará, Nova MPB, Vanguarda Paulista…
80 artistasRock Brasileiro
Rio, São Paulo, Brasília e todo o país
Começou com versões de rock'n'roll em 1955, virou Jovem Guarda nos anos 1960, psicodelia com Os Mutantes, e explodiu nos anos 1980 com o 'BRock' de Legião Urbana, Titãs e Paralamas. Tem metal de exportação (Sepultura, Angra), hardcore, manguebeat, emo e um indie vigoroso.
28 subgêneros: Jovem Guarda / iê-iê-iê, Rock psicodélico, Rock progressivo, Rock rural, Hard rock, BRock (anos 1980)…
471 artistasSertanejo
Interior de São Paulo, Minas, Goiás e Paraná
O gênero mais ouvido do Brasil hoje nasceu como música caipira em 1929, com duplas de viola e vozes em terças. Modernizou-se com Chitãozinho & Xororó, virou pop romântico nos anos 1990 e, depois de 2005, o 'universitário' de Jorge & Mateus, Luan Santana e Marília Mendonça tomou as paradas.
5 subgêneros: Música caipira / raiz, Sertanejo romântico, Sertanejo universitário, Feminejo, Agronejo
89 artistasFunk Brasileiro
Rio de Janeiro, depois São Paulo
Nada a ver com o funk americano: o funk carioca nasceu nos bailes dos anos 1980 a partir do Miami bass e ganhou voz em português com DJ Marlboro (1989). Passou pelo melody, pelo proibidão, pelo tamborzão, pela ostentação paulista e pelo 150 BPM; hoje o 'baile funk' é exportado por Anitta, Kevin o Chris e pelo mandelão de São Paulo.
10 subgêneros: Funk melody, Funk consciente, Proibidão, Tamborzão, Funk ostentação, Funk 150 BPM…
119 artistasRap e Hip-Hop
São Paulo, depois Rio, Brasília e Fortaleza
O hip-hop brasileiro cresceu nos bailes black e na estação São Bento do metrô de São Paulo. Racionais MC's deram ao gênero sua obra máxima em 1997; nos anos 2010, Emicida, Criolo e Djonga levaram o rap ao centro da cultura, e Matuê fez do trap o som mais ouvido da juventude.
3 subgêneros: Rap nacional, Trap brasileiro, Drill
106 artistasForró
Pernambuco, Paraíba, Ceará e todo o Nordeste
Luiz Gonzaga inventou o trio de sanfona, zabumba e triângulo e lançou o baião em 1946; 'Asa Branca' é o hino do sertão. Do xote e do xaxado ao pé-de-serra, o forró ganhou as universidades nos anos 1990, os palcos gigantes do forró eletrônico de Fortaleza e, nos anos 2020, o piseiro.
6 subgêneros: Baião, Xote e xaxado, Forró pé-de-serra, Forró universitário, Forró eletrônico, Piseiro
60 artistasAxé e Música Baiana
Salvador, Bahia
Salvador inventou o trio elétrico em 1950 e, em 1985, 'Fricote' de Luiz Caldas batizou o axé: frevo baiano, ijexá, reggae e pop. Olodum criou o samba-reggae; Daniela Mercury e Ivete Sangalo o levaram ao país. O carnaval de Salvador é o maior palco do gênero.
6 subgêneros: Trio elétrico, Afoxé e ijexá, Axé music, Samba-reggae e blocos afro, Pagode baiano, Arrocha
58 artistasPop Brasileiro
São Paulo e Rio
Dos girlgroups da era disco (Frenéticas) ao teen pop de Sandy & Junior e Rouge, até as divas globais do século XXI: Anitta, Pabllo Vittar, Ludmilla, Iza e Luísa Sonza. O pop brasileiro de hoje absorve funk, sertanejo e R&B e lidera as plataformas de streaming.
5 subgêneros: Pop contemporâneo, Disco e pop dançante, Teen pop, Pop alternativo, Pop LGBTQIA+
67 artistasBrega, Calypso e Sons do Pará
Recife, Belém e o interior do Brasil
'Brega' foi um insulto da crítica para o romântico popular de Waldick Soriano, Odair José e Reginaldo Rossi; virou nome de gênero. No Pará, o brega encontrou o carimbó e a guitarrada e gerou a lambada, a Banda Calypso e o tecnobrega das aparelhagens de Belém.
7 subgêneros: Brega romântico, Brega pernambucano, Carimbó, Guitarrada, Lambada, Calypso paraense…
43 artistasGospel e Música Religiosa
Todo o país
Um dos maiores mercados musicais do Brasil: o louvor evangélico de Aline Barros, Fernandinho, Gabriela Rocha e Diante do Trono enche estádios e lidera o YouTube, enquanto a música católica de Padre Marcelo Rossi vendeu milhões nos anos 1990. Há também rock, rap e sertanejo cristãos.
4 subgêneros: Louvor e adoração, Gospel pentecostal, Música católica, Rap gospel
56 artistasEletrônica
São Paulo, Goiânia e festivais pelo país
DJ Marky levou o drum'n'bass brasileiro a Londres nos anos 1990; nos 2010, o 'Brazilian bass' de Alok e Vintage Culture colocou DJs brasileiros entre os mais ouvidos do mundo. O país tem uma das maiores cenas de psytrance e um diálogo constante entre eletrônica e funk.
5 subgêneros: Brazilian bass, Drum'n'bass brasileiro, House e techno, Psytrance, Eletrônica e funk
39 artistasReggae Brasileiro
São Luís, Rio, Brasília e Bahia
São Luís do Maranhão é a 'Jamaica brasileira', onde o reggae roots toca nas radiolas desde os anos 1970. Nos anos 1990, Cidade Negra e, depois, Natiruts, Armandinho e Maneva fizeram do reggae cantado em português um gênero de massa.
2 subgêneros: Reggae nacional, Reggae maranhense
18 artistasSoul e Black Music
Rio e São Paulo
Tim Maia voltou dos Estados Unidos em 1970 e inventou o soul brasileiro; os bailes do movimento Black Rio, Banda Black Rio, Toni Tornado e Jorge Ben criaram um funk-soul de identidade própria. Hoje Liniker, Iza e Ed Motta mantêm a linhagem.
4 subgêneros: Soul brasileiro, Samba-soul, Black Rio, Neo-soul e R&B
16 artistasJazz e Instrumental
Rio, São Paulo, Minas e Pernambuco
Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Airto Moreira e Naná Vasconcelos são reverenciados pelo jazz mundial; Azymuth virou culto entre DJs; Toninho Horta e Hamilton de Holanda levam o violão e o bandolim brasileiros aos palcos internacionais.
3 subgêneros: Jazz brasileiro, Fusion e jazz-funk, Violão brasileiro
36 artistasMúsica Clássica
Rio e São Paulo
Carlos Gomes estreou 'O Guarani' no Scala de Milão em 1870; Heitor Villa-Lobos fez das 'Bachianas Brasileiras' a obra erudita brasileira mais tocada no mundo. Nelson Freire, Guiomar Novaes e Bidu Sayão foram intérpretes de reputação global, e a OSESP é a orquestra de referência.
5 subgêneros: Música colonial, Romantismo, Nacionalismo, Música contemporânea, Intérpretes e orquestras
20 artistasTradições Populares
Todas as regiões
As músicas que vivem nas festas, nos terreiros e nas rodas: frevo e maracatu em Pernambuco, coco, ciranda e repente no Nordeste, jongo no Sudeste, catira, chamamé, siriri e cururu no Centro-Oeste, fandango caiçara no litoral do Sul e de São Paulo, a música gaúcha, o bumba-meu-boi, as marchinhas e os toques da capoeira.
15 subgêneros: Frevo, Maracatu, Coco e ciranda, Repente e cantoria, Jongo, Cantos afro-brasileiros…
36 artistasMúsica Indígena
Todo o território, da Amazônia ao Sul
Mais de 300 povos indígenas vivem no Brasil, cada um com seus cantos, flautas e maracás ligados a rituais, ao trabalho e à memória. A carta de Pero Vaz de Caminha (1500) já descreve indígenas dançando; hoje, artistas como Djuena Tikuna, Brô MC's e Kaê Guajajara levam essas línguas ao rap, ao pop e à canção.
2 subgêneros: Cantos tradicionais, Artistas indígenas contemporâneos
5 artistasMúsica Infantil
Televisão e YouTube
Xuxa vendeu os discos infantis mais populares da história do país nos anos 1980; a Turma do Balão Mágico e o Trem da Alegria dominaram a TV. Hoje Galinha Pintadinha e Mundo Bita estão entre os canais infantis mais vistos do YouTube no mundo.
1 subgêneros: Infantil
23 artistas